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Parece estapafúrdia a pergunta, mas não é: António Socorro, um dos membros do Conselho de Administração da TACV

Parece estapafúrdia a pergunta, mas não é: António Socorro, um dos membros do Conselho de Administração da TACV é também comandante do Boeing 757, estando, aos 60 anos de idade, ainda a operar como piloto enquanto mais de uma dezena de aviadores estão em casa a receber mensalmente.

Estes serão protagonistas brevemente de um filme com final conhecido: “O próximo a sair”.

Mas primeiro falemos do gestor-piloto. É que, de forma caricata, António Socorro, juntamente com os restantes membros do Conselho Administrativo da TACV, lidera um processo de despedimento em massa na companhia em que, segundo consta, vai-se priorizar os trabalhadores à beira da reforma, os contratados recentemente e os que nada acrescentam em termos de qualidade e produtividade.

Porquê caricato?

Precisamente, porque Socorro, com mais de 60 anos de idade, entrou no período de pré-reforma como comandante, logo, deveria estar no casting do tal filme “O próximo a sair”. Só que, apesar de apto, o gestor-piloto da TACV, que faz regulares para o Brasil e Europa (não vai aos EUA porque a FAA o proibiu de lá chegar durante 4 anos, depois de provocar um incidente grave naquele país), não pretende figurar na película, ou seja, rescindir o seu contrato de comandante de Boeing na companhia e ficar só com o salário de gestor. Conveniente, não?

Na verdade, conforme soubemos, nenhum dos seis pilotos da casa com idade superior a 60 anos – e que em caso de rescisão contratual terão uma indemnização de mais de 20 mil contos cada – estará na lista de despedimentos. Porque (espante-se) Socorro e a administração de que faz parte não comungam desta ideia.

Nesse caso, os cortes poderão apanhar os pilotos mais novos e que, por falta de espaço numa companhia sem avião e com 50 pilotos, foram deixados em terra mas recebendo centenas de contos por mês. A TACV, com mais de 50 pilotos, só tem permitido espaço aos mais antigos, deixando de fora quadros jovens mas experimentes com muitos anos de trabalho pela frente que não operam porque a administração só coloca os mais antigos.

Esta situação tem causado atrito entre os pilotos da TACV desde há algum tempo, com os profissionais mais novos (45 anos para baixo) a reivindicarem a sua oportunidade. Até porque, correm o riso de perder a licença se não voarem durante um ano. A solução para manterem a credencial de piloto junto da Aeronáutica Civil seria fazerem o teste no simulador, só que este treino de aptidão na Holanda é caríssima pelo que é a própria companhia que envia seus pilotos. E já sabe, a TACV só manda os que lhe interessar.

O Sindicato dos Pilotos deve reunir-se na próxima semana com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, para lhe expor essas preocupações e tentar convencer o chefe de Governo que seria mais lógico mandar para casa os pilotos que já atingiram a idade da reforma, o que aconteceria sem direito a indemnização.

Até lá, permanece um clima de elevada ansiedade no seio dos pilotos, que, na reunião com o Conselho de Administração de há três semanas tinham garantias de que os despedimentos só abrangeriam os técnicos administrativos, mas que agora estão apreensivos porquanto segundo a lógica do Governo todo o mundo vai apanhar.

A sorte de muitos deles é que estão a sair antes de serem mostrados a porta da rua. Quem os acolhe é a Binter Cabo Verde – só este ano mudaram-se para a Binter cerca de 30 trabalhadores formados pela TACV. Mais não vão porque a companhia de origem canariense não tem onde os colocar.

E voltamos ao início: com tudo isso que foi dito e se sabe, o senhor administrador António Socorro terá coragem e sensatez para rescindir o contrato do comandante de Boeing António Socorro?

P.S. – Favor enviar resposta por esta via.

The Insider