Votos do utilizador: 0 / 5

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

Janira. Em busca da liderança perdida  vai ter de dar no duro para no mínimo manter a sua base de apoio ou quiçá aspirar um resultado que lhe dê legitimidade mínima

Apesar de concorrer sozinha à sua própria sucessão nas directas de 29 de Janeiro, a presidente do PAICV vai ter de dar no duro para no mínimo manter a sua base de apoio ou quiçá aspirar um resultado que lhe dê legitimidade mínima para reaparecer recauchutada. A tendência, no entanto, é para perder ainda mais apoio dentro de um partido com fracturas expostas.

Os dramas e queixumes no PAICV, agora na oposição, vão continuar ou até aumentar nos próximos tempos. O partido que, durante décadas, evidenciou sempre uma imagem de unidade e disciplina, hoje não passa de uma versão grotesca do que já foi.

Fragmentado e sem direcção ideológica, o PAICV procura um novo élan através das eleições directas para a escolha do seu próximo presidente. Já se sabe que há apenas uma candidatura para o lugar: a de Janira Hopffer Almada, sim, a mesma que esteve à cabeça dessa força politica nas três humilhações públicas do partido este ano – legislativas, autárquicas e presidenciais, em que nem sequer conseguiu apresentar um candidato da sua área politica.

E tudo começa na eleição de Janira Hopffer Almada para líder tambarina em Dezembro de 2014. Ela surgiu com fulgor e ambição para, contra todas as expectativas, derrotar logo à primeira volta, concorrentes de maior peso na estrutura do partido, Felisberto Vieira, que lidera há muito uma sensibilidade conservadora oposta à de José Maria Neves, e Cristina Fontes Lima, que tinha forte apoio de Neves.

A vitória da jovem política foi tinha pequenas nuances de que o seu percurso seria curto e pobre. Primeiro porque apesar de ganhar mais de 50 por cento dos votos (maioria absoluta à primeira volta), Janira só tinha o apoio de 25% do PAICV, já que nessa eleição metade do partido não votou.Com apenas um quarto do partido nas mãos, JHA precisava aglutinar apoios de todas as sensibilidades. E estava difícil. Cristina Fontes lima, então ministra da Saúde, colocou o seu cargo no governo à disposição, assim como os ministros qe a apoiavam como Marisa Morais, Rui Semedo, Cristina Duarte, porque não queriam trabalhar lado a lado com a ministra Janira.

Ela, JHA, percebeu a fuga. Daí ter indicado o nevista Manuel Inocêncio Sousa para seu número dois a ver se atraía os nevistas para seu lado, e gratificou Eva Ortet (única do então governo que esteve do seu lado) colocando-a como segunda vice-presidente e fez subir José Veiga para vice, um prémio pelos esforços do politico santacatarinense em Santiago Norte.

Mas tudo parou aí. As estruturas continuaram fracas, o partido deixou de estar próximo dos militantes, e, pior, Janira não soube conter os passos dos seus adversários directos, sobretudo Felisberto Vieira. O primeiro sinal de dissintonia foi para a eleição dos cargos externos ao Parlamento (Tribunal Constitucional, ARC e Comissão de Protecção de Dados) e no célebre dossier dos Estatutos de Cargos Políticos com os dois a apresentarem posições antagónicas.

Mesmo no governo, a nova líder do PAICV encontrou obstáculos para crescer. E demorou a perceber que JMN, mesmo tendo anunciado a sua retirada da vida politica activa, estava a inaugurar tudo e mais alguma coisa, tapando-lhe espaço. 

Teimou em manter-se num governo descredibilizado, deixando o partido em segundo lugar. Resultado, o PAICV perdeu coesão e a sua famosa unidade foi sanita abaixo. No final, depois das duas derrotas feias e consecutivas para o Parlamento e para os municípios, foi o próprio JMN quem lhe atirou a primeira pedra: ela era culpada.

JHA devolveu as acusações apontando o dedo aos seus detractores, mas não fez que lhe competia: pedir demissão, obrigar a eleições antecipadas e permitir ao seu PAICV renascer, depois do Congresso, como força coesa para fazer oposição a um MpD galvanizado.

Os erros foram-se sucedendo. E o pior foi o Conselho Nacional aprovar uma moção de apoio a Janira (perdera legitimidade moral e politica) e aceitar que nas directas de 29 de Janeiro próximo haja apenas uma candidatura, precisamente de Janira Hopffer Almada. 

O surgimento de um grupo de reflexão contestando a decisão do CN, um órgão com tamanho peso, só reforça a teoria de divisão interna que mina o PAICV e o torna o ambiente no seio tambarina ainda mais explosivo.

Janira Hopffer Almada está na pole-position para recuperar a liderança perdida. Mas será uma tarefa titânica ou até um milagre se conseguir ultrapassar o número de votos que teve em 2014. Porque o PAICV que não quis há dois anos, não a quer ainda mais agora. O score vergonhoso dos partidos nas últimas eleições levaram muitos dos seus apoiantes a recuar. Principal: como combater a abstenção, que poderá ser a grade vencedora das directas de 29 de Janeiro.

Enfim, o PAICV, débil e sem massa muscular, está em guerra intensa. Haverá vítimas? É prematura afirmar. Mas, como diria Patropi, “numa guerra esqueletos nunca haverá banho de sangue, mas qualquer fractura fica 

exposta”. 

Sniper