Votos do utilizador: 5 / 5

Estrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativa
 

Jorge Carlos Fonseca tem agora a chance de mostrar que é o presidente de todos os cabo-verdianos

Jorge Carlos Fonseca tem agora a chance de mostrar que é o presidente de todos os cabo-verdianos e não um instrumento do partido que o ajudou a se eleger.

Numa altura de grande turbulência política no Parlamento – com o presidente da Assembleia Nacional a dar sinais de que não domina os instrumentos da República, a ordem do dia adoptada sem maioria absoluta, os deputados a aprovarem leis de legalidade duvidosa, sessões plenárias irregulares, etc. – só nos resta o socorro do Chefe do Estado.

Ainda que Jorge Carlos Fonseca esteja também ele no olho do furacão (não comunicou a tempo a sua ausência do país e disse depois que não sabia de nada sobre a acumulação de poderes por parte de Jorge Santos), é nele, o presidente da República, que o país deposita agora as esperanças, no sentido de ver se o mais alto Magistrado da Nação assume o seu papel e faz cumprir a Constituição da Republica que jurou defender.

É o PR, enquanto árbitro do sistema, quem tem o dever de solicitar ao Tribunal Constitucional a fiscalização abstracta e sucessiva tanto da sessão dirigida por Jorge Santos, em acumulação com o cargo de PR substituto, quanto dos diplomas aprovados sem suporte jurídico-legal.

Agir desta forma é assegurar a inviolabilidade da Constituição, é garantir a estabilidade politica no arquipélago, é estar do lado dos cabo-verdianos. Os mil e um incidentes testemunhados durante os trabalhos na Casa Parlamentar – há casos muito instrutivos para se conhecer o ‘modus operandi’ e o ‘modus faciendi’ de cada sujeito parlamentar – obrigam-no a ser o árbitro em quem o país confiou o seu voto por duas vezes.

Se antes, com o PAICV no Governo e maioria no Parlamento, Jorge Carlos Fonseca tentou ao máximo uma postura neutral (às vezes não o conseguiu é certo, mas fez por isso), desta vez, com mudanças significativas na ecologia da politica cabo-verdiana e com uma atmosfera politica bem diferente, é hora de o presidente da República mostrar ao país que está pela defesa do Estado não como instrumento ou extensão do grupo (MpD) que domina a arena politica nacional, com uma maioria, um governo, 18 autarquias e um PR e que o ajudou a sentar-se na Presidência da República.

Só o PR pode, neste momento, salvar a democracia e equilibrar a balança, chamando a terreiro o Tribunal Constitucional. Ao MpD convém, como é óbvio, que Jorge Carlos Fonseca continue distante, indiferente, quieto. Porque, num país tão bipolarizado como o nosso, ter um amigo no Palácio do Plateau, é crucial. E radical.

Ao PAICV, sem liderança e impotente enquanto força de oposição, só lhe resta esperar. E esperar sentado na inércia.

Enfim, o PR tem tudo a seu favor agora para mandar. E pode até vir a ser como a rainha de Inglaterra, que erradamente se atribui ausência de Poder, mas que o tem, e muito, em momentos de crise ou de caos politico. Interessante… Zona nas vestes da rainha de Inglaterra.

Sniper