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Presidente do MpD concorre sozinho à sua própria sucessão. Mas há movimentações grupos adversários que querem dominar os órgãos. 

Alguém vai querer tomar a presidência do MpD a Ulisses Correia e Silva? A resposta é não. Ulisses, apesar de alguma passividade e má gestão dos egos no partido, continua sendo venerado pelos militantes e pode inclusive vir a ganhar as directas de 9 de Janeiro de forma ainda mais expressiva.

Além da vantagem posicional (é primeiro-ministro) em virtude do brilhante socre nas legislativas e posteriormente nas autárquicas, Ulisses Correia e Silva soube mover as peças no xadrez ventoinha de modo a aparecer como o único e natural candidato à liderança do MpD.

Internamente, sabe-se, Ulisses tem oposição de alguns sectores que o acusam de ‘PCDizar’ o MpD, oferecendo posições de destaque aos ex-dissidentes do extinto PCD que, entretanto, regressaram ao partido ventoinha – Jorge Santos, Gilberto Silva, ou o próprio Jorge Carlos Fonseca são alguns desses retornados – preterindo de alguns dos mais indefectíveis apoiantes.

Na verdade desde quando presidia a Câmara Municipal da Praia, Ulisses montara uma equipa maioritariamente com pessoal do PCD (António  ‘Tóber’ Silva, Óscar Santos, Gilberto Silva). E manteve esta politica de recolhimento quando venceu as eleições no partido.

A ala mais radical do MpD, encabeçada por Humberto Cardoso, nunca viu com bons olhos o regresso dos dissidentes de 1993, pelo contrário ainda batem o pé e confrontam o líder do partido sobre esta questão.

Mas Ulisses foi esperto. Percebeu que no MpD, neste momento, poucos são os que ousam desafia-lo na corrida para a liderança do partido. E fez questão de os manter distante – enviou Carlos Veiga para Washington, Eurico Monteiro para Lisboa e José Filomeno Monteiro para Bruxelas.

A jogada foi de mestre porque lhe permite avançar outra vez como candidato sem qualquer oposição, sem chance para debate de ideias e conteúdos programáticos.

Sabendo deste handicap, militantes e ferrenhos apoiantes de Carlos Veiga e José Filomeno Monteiro procuram agora ferir a hegemonia ulissiana com um golpe no estômago: atacar os órgãos do partido. Neste momento, há movimentações para a formação de uma lista alternativa à de Ulisses para concorrer á eleição dos membros da Comissão Politica, Direcção Nacional e restantes órgãos.

Em algumas concelhias os presidentes que apoiam Carlos Veiga e José Filomeno Monteiro estão a tentar ao máximo nomear delegados pró-Veiga para a Convenção agendada para Fevereiro.

A estratégia é interessante, mas pode dar para o torto fazendo queimar muito boa gente. Se passar, Ulisses deixa de ter o controlo total do partido, passando a obedecer aos seus adversários internos antes de tomar qualquer medida, no MpD ou mesmo no Governo.

Pelo menos já deu para perceber que Ulisses, afinal, não tem a unanimidade de apoio interno que se julga. Mas continua sendo o mais venerado líder do MpD, com um nível de aceitação entre os seus pares que quase o transforma num caudilho.