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Jorge Carlos Fonseca foi a São Vicente no fim-de-semana num voo da Binter, ignorando a companhia aérea do Estado.

Há cerca de 15 dias foi o ministro da Economia, José Gonçalves, a atrasar deliberadamente um voo Mindelo-Praia da TACV.

O que separa um político populista de um estadista? É a capacidade que o segundo tem para pôr os superiores interesses nacionais acima de tudo. Ora, numa altura em que a companhia aérea de bandeira nacional atravessa uma profunda crise financeira e está a braços com processos judiciais por milhares de contos de dívidas por pagar, convinha que os dirigentes tenham uma maior preocupação com a empresa para que não feche de vez.

O presidente da República, pelos vistos, esqueceu-se deste seu dever, já que ignorou o lao patriótico para ajudar a afundar ainda mais a TACV, empresa que ostenta a bandeira e as armas da República de Cabo Verde e que ele, o Chefe de Estado, tem obrigação de defender.

Este fim-de-semana, o PR foi a São Vicente mas preferiu os serviços da Binter, uma empresa privada, em detrimento da estatal TACV. Ora, o cidadão Jorge Carlos Fonseca tem o direito de escolher em que companhia quer viajar, mas enquanto presidente da República tem de promover a companhia do Estado, já que não utilizou o avião da Guarda Costeira (o PR é, por inerência, o Comandante Supremo das Forças Armadas). Entretanto, acabou escolhendo ps serviços da Binter, quando à mesma hora havia um voo da TACV com tarifa 150 escudos mais barata!

Ao agir desta forma, o chefe de Estado mostrou-se indiferente aos problemas da TACV, companhia em risco de fechar por causa de problemas financeiros e excesso de trabalhadores. Jorge Carlos Fonseca, enquanto PR, tinha e tem o dever de ajudar a promover a companhia aérea do Estado, tinha e tem o dever de defender os interesses nacionais. E a TACV, gostemos ou não, trabalhando bem ou mal, é um assunto de interesse nacional.

O Chefe de Estado cometeu uma gaffe de todo o tamanho, perdeu a oportunidade de mostrar que confia na nossa companhia de bandeira, mostrar que tem orgulho no que é nosso, e levando qualquer potencial investidor a querer investir na TACV. 

Além do PR, o ministro da Economia, tutela da transportadora aérea nacional, tem dado maus exemplos no capítulo “Respeito pela TACV”. Há coisa de 15 dias, José Gonçalves vinha de São Vicente para a Praia num voo da TACV. Mas, se, por um lado apostou na prata da casa, por outro mostrou total desrespeito pela companhia e seus trabalhadores, já que deliberadamente atrasou-se a fazer o embarque obrigando esse voo a chegar muito atrasado à cidade da Praia.

No caso do ministro, que mais do ninguém sabe quanto a empresa consome ao erário público por dia, a situação é ainda mais grave. Porque é repetente. Poucos meses depois de assumir a pasta da Economia e Emprego no Governo, José Gonçalves mandou o ATR que fazia São Nicolau-Praia desviar para o apanhar na ilha do Maio e o trazer à capital.

Além do atraso que causou na chegada do avião, a atitude do governante provocou um gasto desnecessário de 300 contos extras à TACV para custear o combustível. Mais, esse voo foi num domingo e para que o desvio se efectivasse, a operadora teve pedir a abertura do aeródromo do Maio (não funciona aos domingos) e chamar os serviços de apoio da infra-estrutura.

Ora com esses comportamentos como o do ministro da Economia e do presidente da República como é que a TACV resistirá? 

Sniper

Nota: Texto da responsabilidade do autor