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E se os nossos políticos trocassem prendas neste Natal?

O que Janira daria a Ulisses e vice-versa?

E porque José Maria Neves não daria presentes a ninguém?

Hoje em dia rara é uma empresa ou uma instituição pública onde, nesta época natalícia os colegas não fazem a já tradicional troca de prendas. A ideia é interessante porque permite deitar fora desavenças e desentendimentos do ano inteiro para os colegas se confraternizarem e mostrarem que, afinal, são civilizados e sabem conviver na diversidade e adversidade. Porque, ao fim e cabo, defendem uma causa comum.

Agora imagine se os políticos, essa classe que se acha a mais trabalhadora do país, resolvesse seguir a tendência e trocasse prendas neste Natal como forma de enterrarem as mágoas. Haveria presentes envenenados? Seguramente e não é difícil saber o que seria.

Por exemplo, a presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada não perderia a oportunidade para oferecer ao primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, uma bússola – a ver se o homem encontra o Norte e pare de ziguezaguear ao leme de um barco enorme como Cabo Verde mas com poucos tripulantes – e uma balança, para calcular o que prometeu e o que anda a cumprir. 

O chefe do Governo, cordial como só, agradeceria o presente e retribuiria o gesto oferecendo à líder do maior partido da oposição um retrovisor em ponto G para rever as asneiras e os caminhos enviesados que o seu partido percorreu sobretudo nos últimos cinco anos de mandato no governo. Os pastéis e a tigela de canja serão para a Consoada da família. 

É possível ver daqui também o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas abrir um cartão com o nome de Mário Lúcio Sousa antes de se dirigir para uma enorme caixa onde tem de presente do seu antecessor um grande espelho para se divertir e fazer do seu Ministério a feira das vaidades que tanto deseja. 

De tão contente, Abrão Vicente decide presentear o advogado-escritor-músico-artista plástico Mário Lúcio com um saco de roupa de diversas cores e à sua medida, a ver se o advogado-escritor-músico-artista do Tarrafal enfim se veste e não vá aparecer noutro clip completamente nu. Porque Cultura também se faz vestido, ainda mais com este frio. E dentro de uma bolsa pequena miniaturas de suas grandes obras na Cultura que ficaram para a história e hoje são meras ruínas.

De João Pereira Silva, ex-PCA da TACV, o ministro da Economia-e-de-Todas-as-Coisas, José Gonçalves, recebe um kit de robots de última geração para o ajudar a carregar as muitas pastas que tem antes que caiam pelo caminho. Até porque com os cortes nos funcionários os robots são mais sustentáveis, não precisam de salário e nem exigem subsídios o que cai bem na actual politica de contenção do Governo.

O ministro da Economia-e-de-Todas-as-Coisas recompensa a gentileza de Pereirona com um triplo presente: um livro de gestão empresarial, uma carta de aposentadoria para ficar distante do dinheiro público e um bilhete de passagem da TACV, que irá voar para bem longe já, já.

Felisberto Vieira, pelos anos de convívio no Parlamento, agracia o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, com um par de óculos super-graduados e uma versão actualizada e anotada da Constituição da República de Cabo Verde. A ideia é ver se Santos não falha daqui para a frente e respeita o principio da separação de poderes. 

Mas Filú não ficará de mãos a abanar. Terá, como oferta de Jorge Santos, um lencinho de bolso para enxugar as lágrimas e um megafone, porque tem estado um bocado afónico desde que Janira Hopffer Almada lhe tirou o partido das mãos. Aquilo ficou-lhe na garganta até hoje, o que o tem impedido de falar – a não ser por gestos, como quando recusou abandonar a Plenária junto com a sua bancada. E ele queria apenas dizer não.

Jorge Carlos Fonseca envia a José Maria Neves uma bola de cristal para que o ex-primeiro-ministro veja se encontrará trabalho no futuro. E onde, porque ter sido enquadrado como docente da Uni-CV não lhe agrada. Mas neste Natal, Zona deve ficar sem presentes de José Maria Neves. E nem é porque portou-se mal, é que José Maria Neves, pela forma como tem pedido mais verba para antigos dirigentes do país, deve estar teso. De facto. 

The Insider