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Ano civil que ora finda confirmou vitórias esperadas, derrotas inesperadas e algumas surpresas. Saiba quem são eles na nossa lista.

Vencedores

Ulisses Correia e Silva

Quinze anos depois, o MpD consegue retornar ao poder, com maioria absoluta, graças a este homem: Ulisses Correia e Silva. De político pouco carismático e até de dicção débil, Correia e Silva foi melhorando a cada a dia a sua popularidade, sobretudo pelo trabalho que desenvolveu durante um mandato e meio na Câmara Municipal da Praia. Ponderado, estudioso e sem malícia política (muitas vezes isso tem isso um handicap), o líder do MpD e primeiro-ministro continua hegemónico dentro do seu partido com um índice de aceitação cada vez maior. E a forma como o partido viria a ganhar as autárquicas a 4 de Setembro, à usta da sua imagem e nome, tornam-no na figura politica do ano. Será reeleito presidente do MpD com margem folgada no dia 9 de Janeiro de 2017. 

MpD

O partido ventoinha destaca-se este ano pelo conjunto, pela unidade demonstrada. Se antes quezílias internas tramavam as aspirações do partido, com a entrada de Ulisses Correia e Silva para a liderança a família mpdista se uniu em torno do novo líder, de tal forma que a vitória nas legislativas de 20 de Março se antevia fácil – se bem que não com a vantagem que obteve por fim – e a humilhação que impingiu ao PAICV nas autárquicas, obtendo 18 das 22 câmaras do país, comprovaria definitivamente o domínio do MpD na arena política nacional. Apesar da fraca chuva, 2016 foi de facto um ano verde. O partido manterá essa aura pacífica em 2017?

José Luis Santos

O actual presidente d Câmara Municipal da Boa Vista e ex-deputado nacional pelo MpD é um dos grandes vencedores do ano. Primeiro porque venceu o próprio medo para anunciar uma candidatura independente que se vaticinava derrotada à nascença. E mesmo perante a ameaça do líder do MpD de que o partido iria tomar medidas contra dissidentes que desafiassem o partido nas autarquias, José Luis Santos seguiu o seu caminho até ganhar as eleições. Em segundo ligar, o politico boavistense é um vencedor porque saiu a melhor numa ilha claramente ventoinha derrotando nada mais nada menos do que José Pinto Almeida (MpD), que até então era o politico mais importante da ilha e o autarca mais antigo (concorria a quinto mandato). 

Jorge Carlos Fonseca

Embora sem surpresa, a vitória de Jorge Carlos Fonseca para um segundo mandato como presidente da República é outro facto a registar. Albertino Graça e Jack Monteiro não eram páreo para Zona, que, na verdade, tinha como principal adversário a abstenção. Mesmo assim, Jorge Carlos Fonseca renovou o mandato logo à primeira volta.

Fernandinho Teixeira

Com o MpD galvanizado depois de vencer pepa primeira vez a ilha-bastião do PAICV (Fogo), o presidente da Câmara Municipal dos Mosteiros conseguiu manter-se de pé. Hoje, é dele o único território municipal do PAICV na ilha do Fogo.

Carlos Silva

Tal como Fernandinho Teixeira, Carlos “Sueki” Silva manteve nas mãos do PAICV a única câmara tambarina da ilha de Santiago: Santa Cruz. Sueki, recorde-se, até era candidato pela primeira vez e não era bem visto como um concorrente de sucesso. Pelo contrário, parecia que foi indicado para tapar um buraco, mas acabou por vencer num concelho que nos últimos anos anos virou o ponteiro para o PAICV.

 

Perdedores

Janira Hopffer Almada

É a perdedora do ano. De uma assentada, a líder do PAICV perdeu tudo (legislativas, autárquicas e as presidenciais que não tinha candidato para apoiar). E com humilhação pública e interna. Tanto que o seu antecessor, José Maria Neves, foi logo a culpando. Ela revidou, atirou as culpas para muito atrás, ainda do tempo de Neves por causa das presidenciais de 2011, reabrindo as feridas que fazem do PAICV hoje um partido com muitas dores. Sobretudo de cotovelo. Neste momento, Janira Hopffer Almada é uma líder descredibilizada, desmoralizada fraca e frágil que tenta, outra vez, se reeleger presidente do PAICV nas directas de 29 de Janeiro. Concorre sozinha.

Cristina Fontes Lima

Um erro de cálculo tremendo: mesmo as projecções que lhe davam derrota clara frente a um Óscar Santos que se acredita ser a continuidade de Ulisses na capital, Cristina Fontes Lima mesmo assim teimou em candidatar-se para a Câmara Municipal Praia. O erro está aqui: Cristina não queria ser presidente da CMP, queria vencer a Praia para granjear capital político suficiente que lhe permitisse desafiar Janira Hopffer Almada na liderança do PAICV. Ficou claro que não era esse o caminho, por isso vai ter de “aguentar” JHA durante mais três anos. 

José Pinto Almeida

Com quatro mandatos consecutivos à frente da CM da Boa Vista, José Pinto Almeida queria mais um, o quinto. Na verdade, Djô Pinto, que meses antes anunciara que não seria candidato na ilha das dunas, queria era impedir que o seu arqui-rival do partido, José Luís Santos (Djaiss), concorresse como candidato do MpD. Conseguiu. E conseguiu muito mais do que tapar espaço no MpD ao Djaiss: conseguiu, inesperadamente, perder. 

PAICV

A estrondosa derrota nas legislativas (perdeu pela primeira vez no Fogo e é agora terceira força politica em São Vicente), a humilhação sofrida nas autárquicas e não ter nenhum candidato da sua ala nas eleições presidenciais revelam o quão baixo o partido da estrela negra caiu. Tão baixo que um partido habituado a gerir conflitos e onde a união e camaradagem vingava, hoje não passa de um grupo de imberbes a brincar aos políticos. As desavenças internas são discutidas em praça pública e a liderança inexiste. Insiste. JHA, a grande derrotada politica do ano, vai ser reeleita sem oposição legal, mas com muitos adversários internos prontos a fazê-la cair na primeira curva. 

Mulheres

Nas eleições autárquicas de 4 de Setembro apenas quatro mulheres concorreram como cabeça de lista para a Câmara. Todas do PAICV: Cristina Fontes Lima, Carla Carvalho, Leonesa Fortes e Rosa Rocha. Todas perderam. Neste momento nenhuma mulher dirige uma autarquia em Cabo Verde, uma derrota clara para as mulheres. Sinal evidente que muito trabalho ainda precisa ser feito para que a equidade do género seja de facto alcançado. Nas urnas.