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Olavo Correia não mexera na estrutura do seu Ministério, nem afastou colaboradores próximos ao PAICV, desde que entrou no Governo, em Abril de 2016. 

Agora dá sinais de querer emborcar tudo.

Desde que o MpD tomou posse no Governo sãos várias dezenas de funcionários, chefes intermédios e do quadro especial que acabaram despromovidos ou no olho da rua. 

A campanha de despartidarização da Administração Pública (na verdade despaicvização da AP, porque os do MpD foram mantidos no lugar além de outros chamados para as vagas) foi massiva, abrangendo, posteriormente, as câmaras municipais, onde assessores que eram quadro da autarquia foram despedidos com uma mão à frente e outra atrás – já há processo no tribunal a respeito, inclusive.

Curiosamente, o Ministério das Finanças agiu na contra-maré da onda ventoinha que chegou ao Governo. O ministro Olavo Correia, mais frio e calculista, foi o único que desde então manteve intacta a estrutura para surpresa de alguns e raiva de outros tantos dilectos do MpD, que queriam alterações a toda a linha.

Mesmo os colaboradores directos de Cristina Duarte foram deixados no lugar, numa postura de facto surpreendente do titular da pasta das Finanças e também vice-presidente do MpD. Aliás, Correia tem tido uma atitude algo diferente do resto do elenco governamental, denotando maior firmeza e convicção no seu projecto para as Finanças do que os seus pares.

É como se o Ministério das Finanças fosse um governo em si, à parte do liderado por Ulisses correia e Silva. É só notar a forma como tem imposto as suas decisões no caso da TACV, em oposição ao ministro da Economia, José Gonçalves, e no Fundo do Turismo, onde rejeitou de pronto uma proposta de atribuição de um montante equivalente a 10% das receitas do Fundo à Camara do Turismo de Cabo Verde, presidido por Gualberto do Rosário – acabou ficando com 5% da verba do FT para a promoção turística de Cabo Verde.

Mais recentemente, o ministro das finanças não pensou duas vezes na repercussão negativa que o desmentido que fez ao presidente da Câmara Municipal de São Salvador do Mundo (que havia justificado o não pagamento dos salários de Dezembro antes do natal alegando que não tinha recebido o dinheiro do Fundo de Financiamento Municipal) traria para o seu partido. E foi logo desmascarando publicamente seu colega de partido, “sem djobi pa ladu”.

Enfim, nota-se que Olavo Correia criou, ou vem usando, a sua agenda própria que não a do Executivo ou do partido de que é vice-presidente. Age quando quiser e como quiser.

Só isso explica que, depois de ultrapassada a fase experimental do Governo, e numa altura em que ninguém mais pensa em mais alterações de fundo a nível dos recursos humanos e estruturas de trabalho, o ministro das Finanças decide agora empreender uma profunda mudança no seu Ministério, a acontecer no início deste no novo ano, segundo diz o A Semana.

Provavelmente, Olavo Correia estaria mais preocupado em fazer aprovar o Orçamento do Estado do que com quem irá trabalhar, mas também é crível que o governante queira mexer na sua equipa de colaboradores, directores e delegados depois de já definir o que quer. E quem quer perto de si.