Votos do utilizador: 5 / 5

Estrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativaEstrela ativa
 

Domingo que vem, 9 de Janeiro, os militantes do MpD vão eleger o novo presidente do partido. Quem será? Ulisses Correia e Silva, pois claro, já que não tem opositor.

E sem isso é o projecto antigo que predomina.

É assim, fácil, como estrelar um ovo: Ulisses Correia e Silva será eleito novamente líder do MpD por mais um mandato de três anos. E se nas directas de 2014 já era consensual – conquistou capital politico derrotando Filú na Câmara Municipal da Praia e foi-lhe reconhecido o seu desempenho na maior autarquia do país – desta vez nem tem de fazer campanha. 

Bem, é exactamente esta eleição extremamente clara que torna as directas do MpD algo desinteressante. Porque não há debate de ideias, não há confrontação de propostas, nem tampouco motivação (ou necessidade) de fazer mais. Independentemente das qualidades do actual presidente do partido, os militantes vão votar Ulisses porque sim, porque é o único candidato e porque, verdade seja dita, não haveria outro neste momento com tanta popularidade e índices de aceitação como o primeiro-ministro.

De facto, a forma como venceu as eleições, devolvendo o poder ao Mpd 15 anos com uma vitória estrondosa nas legislativas e avassaladora nas autárquicas colocam Ulisses Correia e Silva nesse pedestal. É a Era dele. Só que isso, como já introduzimos, é perigoso, porquanto pode fazer o partido cair na rotina, tornando-se ideologicamente monótona. 

Tanto é assim que Miguel Monteiro, da direcção Nacional do MpD, afirmara à imprensa que mesmo a Convenção do partido, agendada para os dias 3 e 4 de Fevereiro, irá debruçar-se mais sobre os desafios da governação central e local do que com as questões internas do MpD. Ou seja, como não há adversários para confrontar Ulisses, nem propostas alternativas para o partido, o MpD vai naturalmente deixar de parte os problemas e questiúnculas que desagradam certos militantes para focalizar na governação. 

Em Santiago e São Vicente, por exemplo, muitos militantes afirmam-se órfãos de liderança, uma vez que acusam Ulisses Correia e Silva de não estar a articular-se bem com as bases sobre assuntos internos e externos àquela força politica, e, acima de tudo, não há ninguém neste momento que ouse desafiar Ulisses e levar esses problemas a debate na Convenção de Fevereiro.

O drama ventoinha, ao fim e ao cabo, não tem a ver com eleição de Ulisses, mas com a falta de debate de ideias que obrigue os candidatos a darem o melhor de si, a esforçarem-se para melhorar o seu programa de eleitoral e a promoverem a democracia interna. E uma força politica tão diversificada ideologicamente como o MpD carece destes choques de opinião e argumentação. Está-lhe no sangue. Enfim, o MpD vai ter a partir de domingo, 9, um novo velho presidente. E uma velha ideia, que resiste à inércia.