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A partir do primeiro dia deste ano, de acordo com o ultimo Orçamento do Estado, cerveja, vinho e aguardente, importados, vão pagar mais impostos em fase de despacho. 

Dito isto esses produtos terão um reajuste de preços em fase de venda nas prateleiras dos supermercados e nos balcões dos bares que claramente irão afetar o bolso dos consumidores finais.
Em relação a essa decisão, surgem algumas perguntas espontâneas:

•    É considerado coerente esse tipo de decisão sendo que foi tomada por parte de um governo de direita ou seja, em princípio, para quem ideologicamente é favorável ao livre intercâmbio de bens e produtos em regime de total concorrência?
•    Será que é anti histórico, dois mil anos depois do nascimento de Cristo, aplicar uma política protecionista, aumentando demasiadamente os direitos aduaneiros, sendo que também os atávicos pais comunistas estão andando na direção contrária?
•    Se com o aumento desses impostos se quis desencorajar o consumo do álcool porque não foi aplicada uma taxa do mesmo teor também para os produtos nacionais?
•    É eticamente e moralmente justo que um governo impeça aos próprios cidadãos de aceder a produtos diferenciados sendo que pelo preço “elevadíssimo” daqueles importados não permitem de ser adquiridos por eles?
•    É considerado justo, para não dizer nada democrático, impor para quem gosta de vinho e não quer pagar pesados impostos de importação de poder escolher somente uma tipologia desse produto sendo que em Cabo Verde produzimos somente “vinho do Fogo”?
•    É considerada uma política expansionística e de abertura ao mercado internacional o fato de impor para os milhares de turistas que vêm a Cabo Verde pagar uma fortuna para beber uma aguardente ou um vinho importado?
•    Não parece engano o fato que o Governo baixou algumas taxas dos direitos aduaneiros para respeitar os acordos assumidos por Cabo Verde com a OMC - Organização Mundial do Comércio para depois aumentar os mesmos direitos aduaneiros para outra tipologia de mercadoria?
•    Quando é que um cabo-verdiano de médio poder de compra poderá permitir-se ao luxo de testar o sabor de um whisky, de um rum ou de uma tequila sendo que custam uma fortuna pelo fato que pagam até 300% de vários impostos de importação?

Para quem votou num partido de direita, como no caso do MPD, quis convidar o governo a modernizar o país abrindo o mesmo a uma politica de expansão e interação internacional afastando-o da vetusta mentalidade soviética e protecionista hoje vai ficar tristemente dececionado.  

Paulo Correia da Silva