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Ulisses Correia e Silva já foi bem mais comedido e ponderado nas palavras.

Mas a reacção dele à notícia de que a TAAG (Transportes Aéreos de Angola) vai fechar a linha Luanda-Praia veio revelar uma outra faceta do nosso primeiro-ministro, a de precipitado e irresponsável.
 
Ao responder de pronto ao jornalista que lhe perguntou se Cabo Verde vai subsidiar a TAAG para manter essa linha aérea aberta, Ulisses Correia e Silva foi claro: “há problemas que bastem com TACV”, pelo que  Cabo Verde “não tem condições para conceder subsídios ou isenções”.
 
O problema que se coloca aqui não é a justeza ou veracidade da sua afirmação, tem a ver com onde e como o faz. É verdade sim que a TACV consome muito dinheiro ao nosso Tesouro (e nem chegam para tirar a empresa do buraco em que se encontra), também é vero que o país não dispõe de recursos para ‘bancar’ uma empresa estrangeira (da milionária Angola!) gerida pela Fly Emirates, uma das dez maiores companhias aéreas do mundo.
 
Sim, tudo isso é verdade, mas dizê-lo por um primeiro-ministro em público não fica bem e pode pôr em causa as relações de amizade e cooperação existentes entre Praia e Luanda. Por conseguinte, a posição de Ulisses Correia e Silva era para ser assumida nos encontros entre os governos de Cabo verde e de Angola com a presença dos gestores da TAAG. É aqui que a frase de Ulisses deveria ser utilizada, onde o primeiro-ministro demonstrava por A mais B por que razão Cabo Verde não pode subsidiar tal voo e solicitar a compreensão de Angola e da TAAG.
 
Ademais, ao assumir publicamente essa posição, o Chefe do Governo deu a entender que Cabo Verde não liga para esse voo de capital importância para manter mais próximos os dois países. Mais, Ulisses desprezou os milhares de cabo-verdianos residentes em Angola que dependem desse único voo directo para estabelecerem contactos com os seus familiares cá nas ilhas e vice-versa. E (in)directamente o primeiro-ministro diz não a África, quando na sua plataforma eleitoral a aproximação ao continente, sobretudo aos países de expressão portuguesa, aparece como um dos destaques.
 
O primeiro-ministro deveria, isso sim, dizer que vai analisar a situação juntamente com as autoridades angolanas e encontrarem a melhor solução para resolverem esse problema. E intramuros diria abertamente que Cabo verde não tem dinheiro para assumir tal compromisso.
 
Mas Ulisses Correia e Silva preferiu ir por outro caminho, mas muitas vezes, em politica, certas verdades não se dizem em público, e Ulisses foi demasiado franco. Enfim, uma atitude deselegante para com Angola e irresponsável pelos efeitos negativos junto da comunidade cabo-verdiana residente naquele país irmão e que são os maiores prejudicados. É que, convenhamos, Angola não precisa desse voo para nada – os seus empresários podem (e fazem-no) fretar jactos privados que o trazem ao nosso arquipélago. Portanto, Cabo Verde tem muito mais a perder com o fim do voo da TAAG para Praia do que Angola. Esse assunto não merecia outro tratamento do nosso primeiro-ministro?
Sniper
Nota: O texto é da responsabilidade do Autor