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Acha que foi num quarto particular? Nada disso, o paciente ficou internado na Traumatologia, após cirurgia num olho.

Um adolescente, a quem a violência na cidade da Praia não lhe poupou um ferimento num olho, teve de desembolsar nada mais nada menos que 75.562$00 (75 contos e 500 escudos) para pagar os serviços hospitalares por uma semana de internamento.

Na verdade, quem pagou a factura foram, obviamente, os pais do rapaz, que, espantados, questionam de onde veio essa conta para apenas sete dias na cama de um dos quartos na secção de traumatologia do Hospital Agostinho Neto. Ou seja, os pais do jovem sequer recorreram aos serviços particulares num quarto individual (com TV, ar condicionado e atendimento personalizado e constante).

De facto, custa entender como é que para tão pouco tempo de internamento o cidadão, neste caso um comerciante retalhista cujo rendimento não ultrapassa o salário de um licenciado, tenha de pagar tanto para cuidados de saúde do seu filho num hospital público. Se fizermos as contas são mais de dez contos por dia!!! Bem, se a conta do Hospital não estiver errada trata-se, na prática, de um assalto à mão desarmada aos bolsos de um cidadão trabalhador.

Nenhuma clínica privada cobra um preço tão exorbitante, o que nos obriga a apontar o dedo ao sistema nacional de saúde que deve permitir o acesso aos serviços de saúde a todos, sem excepção. Pois é, se as autoridades exibem novos equipamentos e mais médicos para as estatísticas, falta incluir também as acessibilidades. Não falamos aqui de proximidade dos centros de saúde ou dos hospitais, mas sim no custo da saúde.

Num país como o nosso, em que o desemprego grassa, o salário não é actualizado à medida da inflação e o poder de compra está a enfraquecer todos os dias, quem pode, de facto, pagar essa quantia para o seu tratamento no Hospital Central da Praia? Grande parte dos quadros superiores não auferem 75 contos líquidos por mês, imagine agora um cidadão de renda média ou baixa.

Talvez por isso, muitos são os cabo-verdianos (com algum poder de compra) que recorrem ao estrangeiro para procedimento clínico de maior qualidade e a preço mais convidativo. Aliás, os pais do adolescente que pagaram 75 contos por uma semana no HAN, foram continuar a terapia em Dakar, Senegal, onde, sabe-se, a qualidade é superior e o preço… bem mais acessível.

Enfim, com este serviço de saúde elitista o país está condenado a “morrer” senão da doença, pela cura.

A sorte deste arquipélago é que é constituído maioritariamente por gente jovem, havendo por isso uma taxa de enfermidade reduzida (se bem que em crescendo devido a maus hábitos alimentares e de cuidados preventivos) quando comparado com países onde a média de idade é mais elevada.

Pode ver a conta do internamento aqui: