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O ministro da Cultura poderá ser convidado a sair na próxima paragem se o condutor deste autocarro governamental, Ulisses, resolver de facto parar para recauchutar os pneus e seguir viagem.

Se calhar é preciso chamar o escritor-pintor-governante, pô-lo no regaço e explicar-lhe o que é certo e o que é errado. Porque se em criança é tau-tau, em política é bau-bau.  

Sim, devido à sua incontinência verbal, Abraão Vicente já causou problemas que cheguem ao seu primeiro-ministro. Porque fala. Diz tudo o que lhe vem na boca, em nome da liberdade de expressão que apregoa e que mal interpreta. E não percebe que na posição em que está – e que faz questão de nos lembrar sempre que fala em público, “eu, como ministro” – há limites até para a verdade.

Desta vez, escreveu um post com comentários diversos e indirectas a (quase) todos. À “certa elite cabo-verdiana”, que “precisa de um choque de realidade” porque defendeu o ex-ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, por causa da auditoria ao Banco da Cultura; ao PAICV e à UCID pelo seu “estranho posicionamento público” face ao dossier TACV.

Se no primeiro caso trata-se de um assunto sob sua tutela – ainda assim não lhe dá o direito de criticar a sociedade civil, como se a verdade esteja só e apenas do seu lado – na questão da TACV é nova prova de imaturidade politica e necessidade de aparecimento. 

Abraão Vicente não é porta-voz do Governo, logo não deveria comentar matérias de outras esferas – assim como Gilberto Silva, ministro da Agricultura, não tem nada que meter-se em defesa da auditoria feita ao banco da Cultura, por exemplo. E ele não é também, porta-voz do partido de que hoje é militante-dirigente e para o qual entrara como independente (não queria perder a liberdade de expressão e pensamento, lembram-se) na lista para a Assembleia Nacional.

Enfim, se enquanto artista, homem da cultura, tem todo o direito e dever de acusar, criticar, sugerir e apontar caminhos que acha melhores, no papel de ministro é ele o alvo e não a sociedade que, mesmo indirectamente, o tem lá. 

Abraão chateia-se com as críticas e se esquece de quantas fez (outras até de forma deselegante, como chamar ao ex-primeiro ministro de mentiroso em plena Assembleia Nacional) quando ainda pulava nos meios sociais a ver se aparecia. Apareceu, mas não cresceu.

Incomoda ainda mais é o ministro da Cultura continuar, qual a usar a sua página no Facebook para meter-se em áreas da governação que não são da sua alçada, em assuntos de Estado que lhe ultrapassam e que colocam em causa relações diplomáticas com outros países. 

É capaz de descer na próxima paragem se o condutor deste autocarro governamental resolver, como já anunciou, parar para recauchutar os pneus e seguir viagem. Mantê-lo a fazer de ministro da Cultura e ao mesmo tempo ministro da propaganda é hipotecar uma eventual segunda vitória nas legislativas. Não há-de ser isto que Ulisses quer e deseja, seguramente – embora a moleza do líder ventoinha dê para tudo, inclusive manter a seu lado um histrião formado para matar e morrer pela boca. Senão, bau-bau…